Minha maior empolgação em ver a série veio do fato de ela se passar nos anos 80 (e eu confesso que não sabia muita coisa sobre a história além disso). Sempre que abria o facebook tinha uma notícia sobre ela e todos os meus sites favoritos estavam falando dessa nova sensação. As notícias foram aumentando minha curiosidade mas não queria ler nada sobre Stranger Things para não receber spoilers ou estragar minha experiência com a série.

Sinopse….
No último final de semana finalmente consegui assistir. Para quem não conhece, a história se passa em Indiana no ano de 1983. Um menino chamado Will Buyers desaparece, seus melhores amigos saem a procura de Will mas sem querer acabam encontrando Eleven, uma outra criança perdida, e a escondem. El (o apelido que a garota logo recebe de seus novos amigos), não fala muito, não diz de onde vem, apenas conta que está fugindo de pessoas más. De quem ela foge na verdade é uma empresa que após fazer experimentos com energia, acaba abrindo um portal para um submundo onde existe um mostro Demogorgon que se alimenta de humanos e animais. Eles usavam Eleven, que tem poderes sobrenaturais, para entrar em universos paralelos e fazer contato com outros seres. Os meninos, El, e a mãe de Will não acreditam que ele tenha fugido ou sido morto, então durante os oito episódios da temporada, eles investigam o que pode ter acontecido e tentam encontrá-lo. 

O vilão principal, o mostro Demogorgon, além de ser conhecido nos jogos de RPG Dungeons & Dragons, é o Príncipe dos Demônios na cultura pagã. Ele vive no submundo (underworld), que é o equivalente ao o inferno da cultura cristã e o umbral do espiritismo. Esses cenários são do mundo dos espíritos que se comportaram mal e merecem ser punidos. Na série Stranger Things eles usam o termo Upside Down, para se referir ao submundo, mas lá não vemos outros espíritos e seres além do Demogorgon. 

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O que eu achei…
Os primeiros episódios me chamaram atenção principalmente pela a qualidade técnica: a fotografia é maravilhosa, os figurinos, luz, roteiro, direção, tudo muito bem feito. Essas primazias me ajudaram a acreditar na história e me transportar para aquele universo. Confesso que só me senti fisgada pela trama lá pelo quarto episódio, quando entendi melhor a história e os personagens. E nesse momento, realmente se tornou uma série muito envolvente.

Sim, ela tem vários personagens clichês: a adolescente que tenta impressionar o garoto popular do colégio, o menino que sente ciúmes quando o melhor amigo começa a gostar de uma menina, a mulher que fica em casa cuidando dos filhos, o pai que sustenta a casa e é emocionalmente ausente…

Sim, ela mistura elementos de diversos filmes dos anos 80, com cenas inspiradas em Goonies, E.T. Extraterrestre, Contatos Imediatos do Terceiro Grau, Conta Comigo, e outros.

Mas todas as coisas que nós já vimos antes faz com que Stranger Things seja leve e confortável, a façanha que os criadores conseguiram e que fez toda a diferença é que esses clichês não impediram o roteiro de ter resoluções imprevisíveis.  

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Lá vem spoliers… 

Lição 1
Um dos diálogos que eu adorei foi de uma conversa entre os pais do Mike (um dos amigos do Will). A empresa de energia responsável pelos experimentos foi até a casa de Mike procurar pelas crianças e pedir para contarem tudo o que sabiam. A mãe ficou desconfiada mas o pai disse: “Querida, nós temos que confiar neles. Eles são do governo, estão do nosso lado”. Isso foi extremamente irônico pois a série deixa bem claro que a empresa não estava preocupada com a segurança da sociedade e muito menos das crianças, se importando apenas com seus próprios objetivos. E também mostra que pai de Mike não fazia ideia do que estava acontecendo e das coisas pelo qual seu filho estava passando. Duas situações comuns no nosso cotidiano, de não enxergar o que não se quer ver.

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Lição 2
A série também retrata o temas de bullying e a importância de trabalhar em grupo. Uma das coisas mais agoniantes dos primeiros episódios é que tinham várias pessoas seguindo pistas diferentes sem se comunicar umas com as outras. A trama fica cada vez melhor quando todos começam a se ajudar e a trabalhar juntos, e só assim é que conseguem chegar perto de solucionar os problemas. A comunicação é o que une as pessoas, e a união faz a força.   

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Lição 3
Outro aprendizado que podemos tirar do filme é acreditar na força de uma amizade verdadeira e ver que as vezes precisamos fazer sacrifícios pelo bem de quem amamos. A personagem Eleven, é uma super heroína, mas não é do tipo carismático que conquista todo mundo. Ela é tímida e tem dificuldade em confiar nas pessoas, mas sempre faz tudo o que pode pelos amigos. Toda a dedicação não só dela, mas de todos os envolvidos em procurar o Will, é um exemplo de perseverança e motivação, temos que lutar pelo o que queremos.

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Teorias sobre o final da temporada:
Após uma campanha de D&D, os jogados indagam: “Acabou? É só isso?!”, “E o cavaleiro perdido?”, “E a princesa orgulhosa?”, “E aquelas flores estranhas na caverna?”.
Provavelmente o cavaleiro perdido se refere ao Xerife Hopper, que fez combinações com o governo e provavelmente vai virar vilão. A princesa orgulhosa se refere à Eleven, ela sumiu junto com o Demogorgon (Príncipe dos Demônios) que na mitologia, possui duas cabeças em um corpo (feminino e masculino/yin e yang). Na série a cabeça dele tem formato de flor, flores na caverna se refere ao ovo que o mostro deixou em Upside Down.

Fernando Pessoa:

Demogorgon

Na rua cheia de sol vago há casas paradas e gente que anda. 
Uma tristeza cheia de pavor esfria-me. 
Pressinto um acontecimento do lado de lá das frontarias e dos movimentos. 

Não, não, isso não! 
Tudo menos saber o que é o Mistério! 
Superfície do Universo, ó Pálpebras Descidas, 
Não vos ergais nunca! 
O olhar da Verdade Final não deve poder suportar-se! 

Deixai-me viver sem saber nada, e morrer sem ir saber nada! 
A razão de haver ser, a razão de haver seres, de haver tudo, 
Deve trazer uma loucura maior que os espaços 
Entre as almas e entre as estrelas. 

Não, não, a verdade não! Deixai-me estas casas e esta gente; 
Assim mesmo, sem mais nada, estas casas e esta gente… 
Que bafo horrível e frio me toca em olhos fechados? 
Não os quero abrir de viver! ó Verdade, esquece-te de mim! 

 

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