Casa é sinônimo de lar, é o canto em que normalmente nos sentimos seguros, vivemos e criamos memórias. Imagina se um dia acontece algum desastre que te tira essa base, forçando a recomeçar do zero? No documentário Cidades Fantasmas conheci realidades muito diferentes da minha, de pessoas que de uma hora para outra perderam seu chão. O que me fez refletir sobre os privilégios que tenho sem me dar conta e também sobre a vulnerabilidade do ‘sentir-se seguro’.

Com um olhar contemplativo sobre o que restou, refletimos sobre o que deixamos e podemos deixar do nosso legado, entendendo que tudo pode ter um fim e que nada está livre da luta contra o esquecimento

O filme não fala diretamente sobre as histórias das cidades fantasmas, ele foca no relato das pessoas que perderam suas casas e até seus familiares por desastres naturais, guerras, ou pelo encerramento de grandes industrias. Quatro destinos na América Latina são abordados, e pelos depoimentos fica claro que grande parte dos abandonos se deu por descaso do governo.

Fiquei chocada ao saber que no ano de 1985 um vulcão entrou em erupção na Colômbia, matando milhares de pessoas, deixando outras milhares desabrigadas, e o governo sabia do perigo mas por interesses econômicos não evacuou nenhuma cidade. Outra história instigante é sobre a Fordlândia, uma cidade abandonada na Amazônia, em que Henry Ford tinha plantio de árvores para extração de látex (usado em pneus). Em 1945 o látex já estava sendo substituído por derivados de petróleo, então a fábrica foi fechada. Essa cidade não é fantasma, ainda existem muitos moradores em Fordlândia mas grande parte das construções da industria de Ford continuam abandonadas.

Esse documentário foi o vencedor da Competição Brasileira de Longas e Médias-Metragens em 2017. Cidades Fantasmas estréia dia 15 de junho, e no segundo semestre será exibido no Canal Brasil.

 

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