Senta que lá vem história. Não costumo fazer posts assim mas como me pediram eu vou contar minha experiência no Lollapalooza de 2017, que teve seus altos e baixos.

Vôo
As fortes emoções começaram ainda no aeroporto de Porto Alegre, quando eu estava na sala de embarque faltando uns 15 minutos pra entrar no avião, percebi que meu documento de estudante havia ficado em casa. Pânico total, e agora?! As opções pensadas foram: tentar ir mesmo assim, torcendo que não pedissem nada; tentar enviar por sedex 10 (que infelizmente não funciona nos finais de semana); fazer um boletim de ocorrência e afirmar que furtaram o documento; pedir para meu namorado levar ao aeroporto (mas provavelmente ele não chegaria a tempo para aquele vôo). Desesperada fui até o balcão de embarque e supliquei ajuda à uma atendente da companhia aérea, que me aconselhou a ir no balcão da loja e comprar passagem para o vôo seguinte. Foi o que eu fiz, ao invés de embarcar às 9 horas da manhã de sábado com minhas amigas, acabei indo só às 12 horas. Nesse meio tempo fiquei esperando no aeroporto e meu namorado foi me entregar a carteira de estudante.

Hotel
Cheguei em São Paulo muito preocupada com o horário, pois o show do Suricato que eu gostaria de ter assistido, já estava começando. Iria lutar para ver o Cage The Elephant que começava às 16:25. No aeroporto de São Paulo tentei chamar um Uber e vários deles aceitavam a corrida mas não estavam indo em direção ao aeroporto, depois de uns 20 minutos tentando, finalmente consegui um que chegou no desembarque. O hotel que fiquei hospedada com minhas amigas foi o Ibis Budget Morumbi, primeiro porque era barato, e segundo porque era perto da estação de metrô por onde passa a linha que vai até Interlagos, local do festival. Chegando no hotel, uma fila extensa para o check-in, mais um fila para pegar o elevador, e quando eu chego no quarto vejo que é minúsculo. Tinha cama de casal e um beliche em cima (que ficou pra mim), a pia ficava no meio do quarto, ao lado da cama, e entre eles uma portinha para o chuveiro, perto da porta, outra portinha para a privada. Eu já tinha ficado em um hotel muito parecido com esse quando tinha sei lá, uns 17, 18 anos. A primeira coisa que pensei foi “Não tenho mais idade pra isso”. Além de tudo, o meu lençol estava manchado, e a internet wi-fi não funcionava. Mas ok, eu sobrevivi, foram só duas noites e o quarto serviu para o seu propósito. 

Uber Pool
Voltando à minha aventura, como eu estava preocupada com o horário e além disso já estressada com todo o ocorrido do dia, não tava a fim de pegar trem e passar trabalho subindo as ruas da estação de metrô até o local do show, que dá em torno de 1,5 km de distância. Decidi chamar um Uber mais uma vez, se fosse sozinha custaria mais de R$ 40,00, mas em São Paulo o aplicativo tem a opção de Pool, que pega várias pessoas indo pro mesmo lugar e então fica mais barato, escolhi essa opção que custaria uns R$ 24 reais. O carro chegou já com uma outra menina, e fomos até o Lollapalooza conversando, mas o tempo ia passando e o carro quase não andava por causa do trânsito intenso. Eu estava ficando bem agoniada, porque o show que eu queria ver estava prestes a começar. Depois de uma hora no carro, chegamos próximo de um portão de entrada e então o motorista finalizou a corrida e saímos do carro. E então ele começou a gritar dizendo que tínhamos que pagar R$ 22 reais, que estava mostrando no aplicativo que ele deveria receber em dinheiro. Eu e a outra menina falamos que tínhamos colocado para pagar no cartão, e o valor da corrida já havia sido debitado, mas ele continuava a insistir. Até que ele abandonou o carro na rua, e saiu correndo atrás da gente, me pegou pelo braço e começou a gritar dizendo que não ia ir embora sem receber. Perto de nós tinham alguns policiais, ele foi até lá e começou a reclamar que estávamos indo embora sem pagar ele, a menina que estava comigo assim como eu, mostramos os nossos celulares com as confirmações de pagamento, e falamos que provavelmente aquele valor seria de uma terceira pessoa que não chegou a entrar no carro. Mas o motorista continuava descontrolado sem querer entender, eu muito apressada para entrar logo disse assim: “Nós viemos aqui pelo serviço do Uber, se você não tá feliz, me avalia mal e reclama lá no Uber, eu já paguei, meu show está começando e não vou ficar presa aqui discutindo”.

Cage The Elephant e Rancid
Me fui embora correndo para a entrada. Como já era meio da tarde estava bem tranquilo e sem filas para entrar, o ingresso era uma pulseira com chip, passei a pulseira por um totem eletrônico e assim foi liberada a entrada. Nem sabiam que eu tinha comprado o ingresso de estudante, nem pediram nada. Todo o transtorno de pegar outro vôo sem necessidade. Mas ok, agora eu já estava lá, bora curtir o show. Quando cheguei ao palco principal Cage The Elephant estava começando a tocar, tentei achar minhas amigas mas era bem difícil, então assisti ao show sozinha. Foi a terceira vez que eu assisti a eles, que como sempre estavam ótimos, dando de tudo nas performances, se jogando na galera e sendo bem loucões. Mas confesso que ainda estava abalada pela correria e não consegui curtir tanto quando eu poderia. No fim desse show, me encontrei com minhas amigas mas logo nos separamos de novo pois elas queriam ver The 1975 e eu não. Eu tinha em torno de uma hora livre até começar Rancid então decidi passear fui ver o que tinha na Lolla Store, fui no Lolla Market, e depois, fui procurar algo para comer. No festival tem bastante opções, mas estava tudo extremamente lotado, com filas gigantescas para pegar uma bebida, e filas grandinhas para as comidas. Entrei no Chef’s Stage, onde tem alguns lanches gourmet, e algumas comidas de verdade como massa, lasanha, risotos. Estava muito difícil de andar por lá, era muita gente, me joguei na primeira tenda que vi que não tinha fila, serviam paella de frutos do mar, o que normalmente não seria minha escolha, mas naquele momento foi. Quando saí de lá o show do Rancid já estava na metade, fui para o palco onde eles estavam tocando e curti algumas músicas, mas quis sair antes de terminar para conseguir ver o início de The XX, que começaria logo em outro palco.

The XX e Metallica
Sentei no morro que tem a frente do palco Onix para assistir ao show do The XX, e foi o melhor momento do dia. Foi muito lindo o show deles, bem intimista, tinha milhares de pessoas ali e todas estavam super conectadas com emoção das músicas, a Romy (cantora e guitarrista) chegou a se emocionar e chorar. Também saí desse show um pouco antes de terminar para tentar pegar um lugar bom para ver Metallica. Só que os fãs de Metallica já estavam desde cedo garantindo o seu lugar, então foi bem difícil. Até tinha conseguido encontrar espaço mais ou menos legal mas os homens não respeitavam muito as mulheres, tentaram me empurrar pulando, e também fui tão encoxada que me irritei e saí de lá. As pessoas estavam se apertando demais e com muitos homens altos na minha frente, eu tinha que me esforçar muito para ver os músicos. O Metallica com certeza sabe dar um show, a técnica deles é perfeita, arrasaram nos solos de guitarra,  e o público deles é muito fiel e apaixonado, o que deixa o show mais intenso ainda. Durante o show deles, que durou duas horas, foi o único momento em que eu vi o bar sem filas para comprar bebidas, aproveitei e fui lá, bebi, dancei um pouco, mas uma hora me bateu uma falta de ter com quem compartilhar aquele momento tão bom. Na hora eu pensei naquela frase do filme Na Natureza Selvagem “A felicidade só é real quando compartilhada”. Pensei no meu namorado que é fã de Metallica e estaria se divertindo muito ali. Eu queria ter visto o show com alguém que valorizasse aquele momento como eu, e fizesse parte daquele instante comigo. Eu já fui em diversos shows sozinha, inclusive em um Lollapalooza inteiro, e me diverti muito. Mas tem vezes que eu preciso de outras pessoas pra me sentir viva.

Céu e Vance Joy
No segundo dia quis ir bem cedo para aproveitar ao máximo, o que eu não consegui fazer no primeiro dia. Queria muito ver Céu que iria começar às 13:15, então almocei cedo, peguei o metrô e corri para chegar a tempo. Consegui estar no palco principal, onde ela estava cantando, 15 minutos depois do início do show. O clima estava muito lindo, o sol raiava e o público que aos poucos ia chegando se embalava e entrava no ritmo da música. A Céu cantou e encantou, parece que todo mundo estava relax, de boa, feliz, aqueles momentos mágicos sabe?! Acho que por isso gostei mais dos shows mais calmos (The XX, Céu e Vance Joy), não tinha empurra-empurra era só música e sentimento. Depois de Céu fui para o palco Axe ver Vance Joy, o bom desse palco que é geralmente é o menos lotado, então consegui um bom lugar, e vi tudo de pertinho, tudo é ele cantando e tocando. Já que ele não se mexe no palco e nem é de falar muito mas foi lindo mesmo assim porque as músicas dele são estilo indie romântico e o público estava muito conectado. Certo momento ele cantou uma música nova que ninguém conhecia mas todo mundo adorou e começou a aplaudir no meio da música, o que deixou ele meio nervoso e fez ele errar uma nota, mas até isso foi bonito.

Jimmy Eat World e Two Door Cinema Club
O próximo show da minha lista era Jimmy Eat World, que aconteceu no palco principal. Me encontrei com uma das minhas amigas que também queria ver esse show e conseguímos um ótimo lugar porque ninguém queria ver Jimmy Eat World, e a maioria das pessoas que estavam ali era para ver as próximas bandas. Isso deixou o show muito chato, porque o público não interagia com as músicas e alguns até reclamavam do que estavam ouvindo. Foi um erro terem colocado esse show no palco principal, fiquei com pena da banda, que estava pela primeira vez no Brasil. Também não ajudou o fato de o som deles estar muito ruim, não sei explicar tecnicamente o porquê, mas parecia abafado, não dava pra ouvir bem os instrumentos. O próximo show a acontecer ali foi o Two Door Cinema Club, e assim que o Jimmy Eat World acabou, uma multidão de pessoas começou a se empurrar para ficar o mais próximo do palco que conseguiam, e foi impossível pra mim continuar ali. Hora de dar uma volta, comer e beber alguma coisa, no domingo estava bem mais fácil e com menos filas, yay! O show do Two Door Cinema Club foi bem animado, já tinha visto eles quando vieram para o Meca Festival em 2011, na época eles estavam começando a fazer sucesso e pouca gente conhecia eles, já no Lollapalooza, eles foram uma das atrações mais esperadas de domingo. As músicas deles sempre tocam nas festas indie rock então virou uma das bandas clássicas da cena indie. Eles não precisaram se esforçar muito pra fazer um show que todo mundo curtiu e dançou. Foram simpáticos, energéticos, e tocaram muitos hits.

Melanie Martinez
Depois fui pro palco Axe ver Melanie Martinez, um show que me surpreendeu. Novamente eu consegui ficar bem na frente e ver ela de pertinho. Não sei explicar muito bem porquê, mas me emocionei e cheguei a chorar com esse show. Acho que fui influenciada pelos fãs ao meu redor que estavam enlouquecidos, cantando todas as músicas, e ela super sorridente, dançando, cantando e andando por todos os lados do palco. Ela tem um estilo bem peculiar, não conversou muito mas deu pra sentir que estava feliz com o carinho dos fãs e o sucesso da sua música no Brasil. Também gostei que ela trouxe um cenário para o festival, ambientando o palco de acordo com as características visuais do álbum CRY BABY. Enquanto isso minha amiga tinha ido ver The Weeknd e combinamos de nos reencontrar para ver juntas o show do The Strokes.

The Strokes e Martin Garrix
O show começou um pouco atrasado e com uma garoa, mas isso não atrapalhou a empolgação dos fãs. O fundo de palco era composto por luzes de led que brilhavam muito, de acordo com os ritmos da música, mas deixavam os músicos com uma sombra difícil de os enxergar de longe. Quando eles começaram foi uma empolgação geral, todo mundo pulando e curtindo, mas assim que a primeira música acabou apagaram todas as luzes. Um tempo depois começaram outra música, todo mundo empolgado de novo, e no seu fim, novamente pararam tudo e apagaram as luzes. E foi assim praticamente o show inteiro, o que me deixou bem frustada, porque eu me animava com uma música, e daí quando acabava a música ficava um silêncio, o vocalista Julian fazia umas piadas ou alguns comentários que a maioria do público não entendia, e então reacendiam as luzes e começavam outra música. Essa inconsistência me incomodou muito, parecia que eles não estavam se importando com as milhares de pessoas que esperavam por uma performance incrível. Era o show que eu mais queria ver, e isso me decepcionou muito. Quando faltava meia hora pro show acabar, e vendo as luzes do palco eletrônico piscarem me veio a ideia de tentar salvar o fim do do festival vendo outro show. Levou dez minutos para chegar no palco Perry, onde Martin Garrix estava tocando. Ele fez um setlist bem clichê mas ótimo para dançar e animar o público que estava ali, e que era bem diferente do público dos outros palcos. Consegui terminar a noite um pouco mais feliz. Reencontramos nossa outra amiga, que estava próxima do palco vendo The Strokes e disse que achou o show ótimo e que os músicos estavam interagindo com quem estava na frente. As opiniões sobre esse show ficaram bem divididas.

O retorno
Ir embora do Lollapalooza é sempre depressivo, não só pelo fim dos shows e do festival em si, mas também porque é demorado, a multidão sai junto e quase todo mundo vai em direção ao metrô. Tanto no sábado como no domingo levamos cerca de uma hora para conseguir chegar até a estação. Mais uma meia hora para chegar até o hotel, e enfim descansar para retornar. Ainda estou me perguntando se valeu a pena todo o dinheiro e esforço investidos nesse festival, nos outros anos eu não tive dúvida de quem sim, mas essa edição deixou a desejar.

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2 Comments on Minha experiência no Lollapalooza 2017

  1. Puxa, Mônica, fiquei triste lendo 🙁 Pelo menos acho que deu pra aproveitar os shows bons tipo Metallica, Melanie e The XX. Passei por uma situação parecida com a sua no Jimmy em um show do The Used. Dá muita pena dos caras e tu até perde o “clima “do show, mesmo gostando! Eu acho que sempre vale a pena qualquer festival, principalmente pelos shows que foram bons 🙂

    ps: que absurdo o lance do uber!!!

    • Eu também queria ver The Used um dia! Acho que essas bandas antigas mais alternativas, mesmo que continuem tocando nunca mais vão conseguir causar a mesma emoção, ainda mais em grandes festivais. Agora as mais populares tipo Blink e Red Hot, podem parar de tocar e voltar mais umas três vezes que sempre vai ter um público legal esperando por eles.

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