A série norueguesa que contagiou o mundo inteiro conta sobre adolescentes de classe média que vivem em Oslo e é muito mais profunda do que podemos presumir. Tem os ingredientes clássicos: festa, bebidas, amigos, intrigas, brigas e romances. Mas o diferencial da série é mostrar muito bem o amadurecimento dos personagens durante essa fase conturbada.

Além do roteiro ser muito bem escrito pela criadora Julie Andem, a série inovou utilizando a interatividade da internet. As cenas vão ao ar em tempo real, quando os personagens estão na escola na segunda de manhã conversando, aparece um vídeo no site da série; se eles se trocam SMS, o print das mensagem é publicado; e assim o publico vai vendo as trama desenrolar durante a semana. Toda sexta-feira as cenas são compiladas e então sai um episódio inteiro. E após o término da temporada, ela vai para a televisão. Skam está muito ligada ao seu tempo e ao seu público.

Quando eu comecei a assistir me lembrei um pouco de Skins, uma série inglesa, que eu amava e também focava cada temporada em um personagem adolescente. Só que os personagens de Skins eram muito mais excêntricos, acho que Skam é mais real. Além de focar a história em um personagem principal, nos é mostrado o ponto de vista desse personagem, então ao desenrolar da história a gente entende muito sobre ele, e descobre que as vezes a pessoa está tão convicta de uma posição, fechando os olhos para outras possibilidades, que ela não consegue enxergar o todo e realmente entender a situação.

A primeira temporada foca em Eva, namorada de Jonas. Eva tem muito ciúme do Jonas, principalmente com Ingrid. Ela brigou com suas antigas amigas, e passa a primeira temporada tentando fazer novas amizades e descobrir se confia em Jonas. Um dos assuntos mais comentados da primeira temporada é o Russ Buss. Na Noruega os formandos do colégio tem uma tradição de montar um grupo, customizar um ônibus e desfilar com ele no dia da independência do país. Nesses ônibus também acontecem muitas festas, e pelo mostrado na série, os estudantes passam desde o início do ensino médio planejando esse momento. 

A segunda temporada foca em Noora, uma das melhores amigas de Eva. Noora parece ter muita maturidade para sua idade, defende assuntos relevantes como o feminismo e os refugiados da guerra da Síria. Com o decorrer da temporada, conhecemos melhor seus medos e defeitos, e vemos como é difícil equilibrar a razão com a paixão.

A terceira temporada foca em Isak, um dos melhores amigos de Jonas. Ele começa a questionar a sua sexualidade mas tem dificuldade de entender seus sentimentos. Apesar de se perceber atraído por homens, ele acha que não se enquadra como homossexual por não ser afeminado e por gostar de ouvir rap. Ele também tem medo de sair dos padrões que se esperam dele, e de como sua mãe, muito religiosa, reagiria. Gosto muito desse conselho que a Sana disse a ele: 

O Islã sempre diz que todos as pessoas no mundo tem o mesmo valor e que nenhuma pessoa deveria ser mal falada pelas costas, violada, julgada ou zombada. Então se você ouvir qualquer pessoa usar a religião para legitimar o ódio, não ouça. Porque ódio não vem da religião, vem do medo. 

Na Noruega, 1/5 dos habitantes assistem a série. O sucesso de Skam é tão grande que o Simon Fuller (produtor do American Idol) já comprou os direitos para fazer uma adaptação americana. Eu, sinceramente acho que os americanos não vão conseguir captar a essência pura dos personagens, que não causam muitas reviravoltas a cada episódio, mas nos divertem ao mesmo tempo que nos fazem refletir com seus amadurecimentos.

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