A francesa Brigitte Bardot é a Marilyn Monroe européia, impossível não compará-las. Ambas foram atrizes famosas dos anos 50, e mais do que isso, eram consideradas símbolos sexuais. Elas tiveram vários casamentos e relacionamentos que não deram certo, e suas vidas pessoais foram severamente prejudicadas com a perseguição da imprensa a ponto de tentarem cometer suicídio. Infelizmente Marilyn não conseguiu escapar de seus próprios demônios, morreu por overdose de remédios. Já Brigitte, jogou tudo para o alto, largou a carreira artística e se afastou da mídia.

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Sua história começou quando em 1949, a então jovem Brigitte de 14 anos, fez um trabalho como modelo para a capa da revista francesa ELLE. O cineasta Roger Vadim viu, ficou admirado com sua beleza, e a chamou para fazer um teste como atriz. Foi assim que ela entrou no mercado cinematográfico, ao mesmo tempo em que começou um romance com Roger, e alguns anos depois se tornou sua esposa.

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Roger Vadim escreveu, dirigiu e atuou no filme ‘…e Deus criou a mulher’, lançado 1956 . Foi este o filme que tornou Brigitte Bardot conhecida mundialmente. Nesta época a França era mais liberal do que Hollywood, enquanto a Marilyn Monroe fazia sucesso usando maiôs, Brigitte Bardot atuava de biquíni ou até mesmo nua, fazia cenas eróticas e provocantes. A liberdade sexual feminina era um tema em voga, Simone de Beauvoir escreveu um livro analisando a importância da atriz chamado “Brigitte Bardot e a Síndrome Lolita”  publicado em 1959. No livro, Simone conta que muitos franceses não gostavam de Brigitte, eles se sentiam incomodados por ela ser espontânea, não ligar para a opinião dos outros, fazer o que tem que vontade, falar o que pensa, etc.

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Outra importante contribuição da atriz, foi para com a moda. Além de popularizar o biquíni, é conhecida por lançar as sapatilhas. Em 1956, pediu que a estilista Rose Repetto criasse uma sapatilha, como a de ballet, mas que pudesse ser usada na rua. O modelo lançado foi chamado de Cendrillon. Um ano depois foi usado por Audrey Hepburn no filme ‘Cinderela em Paris’, e desde então está presente no mercado dos sapatos.

Em 1957 a atriz se divorciou de Vadim e se casou com o ator Jacques Charrier com quem teve um filho. Brigitte contou que queria abortar, o que já havia feito duas vezes, mas nenhum médico aceitou fazer o procedimento e manter em segredo. A família a obrigou a casar com o ator, mas dois anos depois eles se separaram e o filho, Nicolas-Jacques Charrier, ficou com seu pai.

Nunca tive noção do impacto que provocava. Fui sempre o que fui e quis ser.

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Brigitte veio ao Brasil em 1964, para visitar o então namorado Bob Zagury no Rio de Janeiro. Em Copacabana eles não tinham sossego por conta do assédio da imprensa, mas com sorte, conseguiram ir escondidos até Búzios onde passaram semanas tranquilas curtindo o verão e o mar. Após a volta para a França, foram divulgadas fotos desses momentos e com isso a praia ficou conhecida mundialmente, além de se tornar um município.

Multitalentosa, além de atriz, Brigitte era bailarina e cantora. Gravou alguns discos, e em 1967 viveu um romance com o músico francês Serge Gainsbourg. A música mais sexy que eu já ouvi foi uma declaração de Serge para Brigitte, ‘Je t’aime…moi non plus’ (Eu te amo…eu também não). Os dois faziam parte da mesma gravadora, e quando se conheceram em um programa de TV, instantaneamente se apaixonaram um pelo outro. Só que nessa época Brigitte era casada com o milionário alemão Gunter Sachs, e quando o seu romance com Serge começou a ficar público ela se distanciou do músico para permanecer com o marido.

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Seu último trabalho cinematográfico foi em 1973 com o polêmico filme ‘Se Don Juan Fosse Mulher’, em que protagonizou uma cena de sexo lésbico com a atriz Jane Birkin (que se tornara esposa de Serge Gainsbourg – mundo pequeno!). Este filme também foi dirigido por Roger Vadim, os dois continuaram sendo amigos até a morte do cineasta em 2000.

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Após seu último filme, Brigitte se retirou para sua mansão em Saint-Tropez, se tornou vegetariana e se dedica desde então à defesa dos direitos animais.  Em 1992, se casou com Bernard D’Ormale, conselheirdo do político francês de extrema-direita Jean-Marie Le Pen, com quem continua casada até hoje. Brigitte Bardot ainda causa polêmicas, foi acusada de racismo por fazer crítica aos imigrantes muçulmanos que realizam sacrifícios animais e constroem novas mesquitas na França. Ela também já declarou que não é homofóbica, mas é contra a adoção de crianças por casais homossexuais.

Gosto dos animais porque são as vítimas inocentes da crueldade humana,
que não tem limites. Os animais dão tudo e não pedem nada.
Os homens, ao contrário, pedem tudo e não dão nada.

Continua falando o que pensa, fazendo o que quer, mas está mais conservadora do que nunca e por isso não é bem vista pela juventude francesa. Mas não podemos esquecer todas as maravilhas que ela fez como artista, enriquecendo a cultura popular e empoderando as mulheres.

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