Admito que comecei a ver série por causa do Milo Ventimiglia (Gilmore Girls), quando vi o trailer achei interessante porque adoro um drama familiar, mas não sabia muito bem o que esperar da série. Após ver os dois primeiros episódios fiquei deslumbrada e se tornou uma das minhas séries favoritas deste ano junto com Stranger Things, Sense 8 e a volta de Gilmore Girls, é claro. A história é muito bem escrita, fala sobre diversos temas como amor, preconceito, adoção e obesidade; tratando estes com diálogos inteligentes, de uma maneira que parece  até despretensiosa, mas é friamente calculada para te prender e emocionar.  

‘This Is Us’ fala essencialmente sobre relações familiares e a influência dos acontecimentos da infância na vida adulta. A história se passa em dois tempos diferentes: um deles mostra os dias atuais na vida de Kate (Chrissy Metz), Kevin (Justin Hartleye Randall (Sterling K. Brown), três irmãos de 36 anos; já o outro relembra histórias de quando eram crianças nos anos 70 e viviam com seus pais Jack (Milo Ventimiglia) e Rebecca (Mandy Moore). Cada personagem tem um drama diferente acontecendo em suas vidas, vou fazer uma breve explicação sobre cada um.

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Kate

Minha primeira impressão sobre a história de Kate foi que seria uma cópia de “Mike and Molly”. O drama dela se dá pela dificuldade de lidar com a comida e auto aceitação. Em um grupo de suporte a obesos ela conhece um homem que a convida para sair e eles começam a namorar. Apesar dessa semelhança, e ao contrário do que acontece em ‘Mike and Molly’, Kate não se entrega totalmente à relação amorosa pois primeiro ela precisa aprender lidar e ser feliz com ela, com o corpo dela, para depois tentar ser feliz com alguém. Considero essa uma atitude muito madura, pois constantemente vejo pessoas utilizarem uma relação como escape para problemas pessoas. 

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Kevin

Kevin é irmão gêmeo de Kate. A história dele também é um pouco clichê, um galã ator de comédia que quer ser levado a sério e começar a interpretar papéis dramáticos. Ele larga um programa de televisão de grande audiência para seguir o desejo de recomeçar profissionalmente. Um fato que o atrapalha é seu estereótipo de modelo bonito, o que normalmente carrega um preconceito quanto a capacidade intelectual. No teatro, ele consegue um papel dramático pelo simples fato de já ser famoso e assim vender ingressos mais facilmente. Isso é uma coisa que eu também já vi acontecer muito, pessoas ganharem oportunidades não pelo talento mas por ter influência ou conhecer pessoas influentes.

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Randall

O personagem mais profundo, é irmão de Kevin e Kate, nasceu no mesmo dia, foi abandonado em frente aos bombeiros e adotado pelo casal Jack e Rebecca quando o viram no hospital. Randall é bem sucedido na vida profissional e amorosa, casado, com duas filhas, possui um alto padrão de vida. Mas ele sempre se sentiu um pouco deslocado na família por ser negro, e apesar de seus pais adotivos o tratarem muito bem, a trama nos mostra como é complexo ser de cor diferente do resto da família. Buscando suas origens ele contratou um detetive para encontrar seu pai, William, e descobriu que este está morrendo de câncer. A maneira como é mostrada essa história, torna muito fácil termos empatia pela situação do personagem e entendermos melhor algumas questões de etnia e adoção

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Jack e Rebecca

O casal estava esperando tri gêmeos mas por complicações na hora do parto apenas dois bebês sobreviveram. Um terceiro recém nascido que havia sido abandonado foi levado ao hospital e no momento que Jack o viu, sentiu que era um sinal de que aquele seria seu terceiro filho. Jack trabalha muito para conseguir dar tudo o que Rebecca e as crianças precisam e os fazer felizes. Rebecca deixou a carreira de lado para cuidar dos filhos e da casa. A trama do casal gira em torno das dificuldades de criar três filhos e manter o amor entre os dois. 

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O que mais me atrai nessa série é que os personagens e as situações são muito reais, e em diversos casos podemos tirar bons exemplos de como contornar uma situação ruim: como quando a máquina de lavar estragou e então eles se jogaram e brincaram com a espuma; como quando o carro estragou e eles aproveitaram para fazer uma caminhada e passar a noite em uma cabana se divertindo com filmes e jogos de tabuleiros; e até mesmo quando o casal perdeu o terceiro filho e acabou adotando um bebê. Ver o lado bom da vida em momentos de dificuldade é uma lição difícil de empregar.

Além disso, me identifiquei com a jornada dos irmãos pois eles tem 36 anos e ainda estão atrás de seus desejos mais profundos, mas sem ter certeza se estão tomando as atitudes certas, percorrendo um caminho de auto-conhecimento. Eu passo muito por isso, e parece que a vida toda é assim, por mais que algumas pessoas tentem parecer adultas e com opinião formada, no fundo todo mundo deve ter dúvidas e isso é bom, porque é assim que a gente vive, aprende e evolui. 

O ignorante afirma, o sábio duvida, o sensato reflete.
Aristóteles 

 

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