A nova série de drama da HBO, Westworld, aborda questões filosóficas, proporcionando reflexões, sem deixar de lado cenas de ação que divertem o espectador. Essa é uma boa tática para Hollywood fazer as pessoas se interessarem por questões intelectuais como o existencialismo e os limites da inteligência artificial de uma maneira descontraída. Um filme com o mesmo nome, do ano de 1973 foi a grande inspiração da série.

Outras obras já abordaram esse assunto antes, impossível não lembrar do “Admirável Mundo Novo” de Aldous Houxley lançado em 1932. Na história deste livro, Ford (em homenagem à Henry Ford, o pai da mecanização e linha de montagem) governa um mundo onde cada pessoa nasce por métodos científicos e com objetivos determinados, são estimuladas a seguir os padrões impostos sem poder pensar ou questionar o porquê de cada ação, de cada gesto, de cada sentimento. Nesse mundo as pessoas são criadas para trabalhar e para consumir, e quando a depressão bate, é só tomar um comprimido que tudo melhora.

westwold-serie2

Westworld é um parque criado com um objetivo parecido, onde perfeitos robôs com forma humana são programados para acreditar e contar uma história, eles possuem todos os sentidos (tato, olfato, visão, audição, paladar) e também sentem emoções. Mas lhes é proibido ter consciência de que são diferentes das pessoas reais, de que existe um mundo além daquele que conhecem. O Parque Westworld, assim como em Admirável Mundo Novo, é comandado por chefe chamado Ford (Anthony Hopkins).

Os robôs servem apenas para entreter as pessoas reais, que pagam muito caro para entrar no Parque e interagir com os habitantes, conhecer suas histórias, brigar, matar, transar, tudo é permitido. É como se adentrassem em um jogo RPG (Role Playing Game) em que todos são Cowboys/Cowgirls e sempre que jogam o dado, estão com sorte. Os robôs não conseguem se defender e matar os inimigos humanos. A maioria dos visitantes são homens, pois como sempre é retratado pelo cinema, no faroeste as leis são fracas, por isso os homens saem atirando para todos os lados com suas armas e as mulheres são meras coadjuvantes (companheiras ou concubinas).

westwold-serie3

Uma analogia que pode ser feita, é o da vida após a morte. Quando os humanos matam os robôs, uma equipe os limpam, apagam suas as memórias e eles voltam a cumprir suas papéis. Cada vez que um robô morre, ele sofre, se expressa e se emociona como se fosse a última vez em que visse aquele mundo e as pessoas de que gosta. Mas assim como um humano na reencarnação, ele sempre acaba voltando e se relacionando novamente com as mesmas pessoas, mesmo que história entre eles já tenha mudado. A teoria da reencarnação diz que tanto em vidas passadas como em futuras, os espíritos presentes em nossas vidas se repetem.

A ação de matanças na série me faz pensar na ironia que é os humanos sentirem prazer em matar (seja uma mosca, uma galinha, ou uma pessoa) e também sentirem medo da morte.

A crueldade está intrinsecamente ligada ao ego e poder, e o quanto isso gera prazer.

A trama fica mais interessante quando os robôs começam a ouvir vozes e a ter pensamentos que não foram programados, o que pode comprometer todo o projeto do Parque. A série conta com diversos atores conhecidos como Rodrigo Santoro (Ben Hur, 300), Evan Rachel Wood (Aos Treze, Across The Universe), Ed Harris (Uma Mente Brilhante) e Anthony Hopkins (Hannibal).A receita de violência, muita nudez e um pouco de sexo, se parece com Game of Thrones, mas acho que o sucesso dessa série será mais cult justamente por conta do ingrediente filosófico.

westwold-serie4

 

CompartilheShare on FacebookTweet about this on TwitterEmail this to someoneShare on Tumblr

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

Comment *